Intervenção precoce na Infância discutida na Universidade Lusófona

“Quando algo falha no desenvolvimento da criança, elas são colocadas nos programas do SNIPI”

Vários psicólogos e docentes ligados a programas de intervenção precoce na infância reuniram-se em abril, na Universidade Lusófona, para discutir os desenvolvimentos e funcionamento destes programas.

“Quando algo falha no desenvolvimento da criança, elas são colocadas nos programas do SNIPI”. Teresa Nunes Marques, psicóloga e chefe de apoio técnico a casos de risco do Sistema Nacional de Intervenção Precoce na Infância (SNIPI) apresentou os cinco processos tratados nestes programas.

Catarina Ramos, investigadora e docente da universidade Atlântica, falou acerca da patologia neurogénica na comunicação, afirmando que ainda “há uma grande falta de informação sobre a doença” e que “as competências sociais da criança afetam a sua comunicação com terceiros”.

Helena Alves e Otília Gama, psicólogas com trabalho na área da surdez, também presentes na conferência focaram-se nos problemas de comunicação em crianças surdas. “Quando a mãe ouvinte percebe que o seu filho é surdo, por vezes deixa de comunicar com ele”, afirmaram.

O que vem enfatizar ainda mais o facto de que a intervenção precoce na infância é importante para manter a estabilidade do núcleo família, como afirmou Jorge Serrano, docente no Instituto Piaget.

Também Fátima Martinho, psicóloga na Casa Pia, referiu a intervenção precoce na surdocegueira, referindo a dificuldade no diagnóstico destes casos, já que em metade dos casos não são conhecidas as causas. “A comunicação destas crianças baseia-se no tacto, na linguagem gestual adaptada e na imitação”, explicou.

O departamento de língua gestual do CED AACF – Centro de Educação e Desenvolvimento António Aurélio da Costa Ferreira, da Casa Pia de Lisboa fez-se representar por Ana Ferreira, que explicou, com a ajuda de uma intérprete de língua gestual, como funciona a educação de crianças surdocegas, mostrando vídeos de vários exercícios. “Tenho de criar materiais que as façam perceber coisas simples do dia-a-dia, como um calendário”, afirmou.

Aquilino Rodrigues, docente da Universidade Lusófona, referiu também nesse sentido que o incentivo que se dá às crianças é também muito importante, utilizando o exemplo de Christie Goldenberg e o seu filho invisual Joshua. Christie colocou placas em braile por todas as mercearias da sua cidade.

João Alves
Reporter LOC